O Desafio de Registrar Provas Digitais com Mais de Três Anos: A Necessidade do Fracionamento e os Registros em Blockchain

Por Silvana de Oliveira

O registro de provas digitais tem se tornado um aspecto crucial em processos judiciais, investigações internas e defesa legal, principalmente devido à crescente digitalização das informações. No entanto, quando o foco recai sobre evidências digitais com mais de três anos, surgem desafios técnicos e jurídicos, que demandam soluções inovadoras como o fracionamento das provas e o uso de registros em Blockchain. Esses mecanismos são fundamentais para garantir a validade, autenticidade e integridade dessas informações ao longo do tempo.

A Natureza Volátil das Provas Digitais

A preservação de provas digitais por longos períodos é um desafio técnico complexo. Diferente de documentos físicos, arquivos digitais podem ser facilmente modificados, corrompidos ou até perdidos. A volatilidade dos dados digitais exige cuidados redobrados em sua coleta, armazenamento e preservação, sobretudo quando estamos tratando de evidências com mais de três anos.

Essas provas, muitas vezes, estão armazenadas em sistemas e dispositivos que podem sofrer atualizações, mudanças tecnológicas e até descontinuação. Um software de backup utilizado três anos atrás pode não ser mais compatível com os sistemas atuais, dificultando o acesso a esses dados. Além disso, a vida útil de mídias de armazenamento, como HDs e CDs, não é infinita, e sua deterioração pode comprometer a integridade das provas.

O Problema da Temporalidade das Provas Digitais

Nos processos judiciais, é comum que documentos e provas sejam solicitados após anos dos fatos ocorridos. Com isso, surge a questão: como garantir que esses dados se mantenham íntegros e não tenham sido alterados ou corrompidos ao longo do tempo? O desafio da temporalidade está diretamente relacionado à cadeia de custódia digital, um processo rigoroso de gestão e controle dos dados, desde sua criação até sua utilização como prova.

A temporalidade exige que as provas digitais estejam em conformidade com os requisitos legais de integridade, autenticidade e não repúdio. Para que isso seja possível, é necessário não apenas um controle rígido sobre quem tem acesso a essas provas, mas também uma tecnologia que permita verificar a imutabilidade dessas informações ao longo dos anos.

A Necessidade do Fracionamento das Provas

Em cenários de provas digitais com mais de três anos, o fracionamento surge como uma solução eficiente. O fracionamento das provas consiste em dividir grandes conjuntos de dados em blocos menores e mais gerenciáveis. Essa estratégia facilita a gestão e preservação de informações ao longo do tempo, além de possibilitar uma maior rastreabilidade de alterações ou acessos.

A principal vantagem do fracionamento é a redução do risco de comprometimento da prova como um todo. Ao dividir os dados em partes, torna-se possível aplicar técnicas específicas de preservação a cada bloco, além de distribuir o armazenamento desses fragmentos em diferentes locais, evitando perdas massivas de dados.

Esse fracionamento também é útil para evitar a sobrecarga de sistemas de armazenamento e facilitar a verificação e atualização contínua de cada parte da prova. No entanto, para que o fracionamento seja eficaz, é essencial contar com um sistema de gestão de provas robusto, capaz de integrar e rastrear todas as partes da evidência.

Blockchain: A Garantia da Imutabilidade

O uso da tecnologia Blockchain na preservação e registro de provas digitais tem ganhado destaque por sua capacidade de garantir a imutabilidade das informações. Blockchain é uma estrutura descentralizada e distribuída que armazena registros de forma segura e transparente, criando um “livro-razão” digital em que cada transação (ou prova) é registrada e criptograficamente ligada à anterior.

Em termos de provas digitais, a principal vantagem do Blockchain é que qualquer tentativa de modificar um registro se torna visível, já que os blocos anteriores da cadeia permanecem intactos e acessíveis para auditoria. Assim, a tecnologia se torna um instrumento poderoso para assegurar que provas digitais com mais de três anos não tenham sofrido qualquer alteração ou adulteração.

Outra vantagem do Blockchain é a possibilidade de criar “marcos temporais” (timestamps), que registram o exato momento em que uma prova foi inserida no sistema. Isso é crucial para demonstrar a integridade temporal de uma evidência, provando que ela existia em determinado formato em um tempo específico.

Além disso, o uso de Blockchain permite integrar o fracionamento das provas. Cada bloco fracionado pode ser registrado individualmente, garantindo que todas as partes de uma prova estejam conectadas de forma segura e verificável, mesmo que estejam armazenadas em locais distintos.

O desafio de registrar provas digitais com mais de três anos exige uma abordagem técnica e jurídica sofisticada. O fracionamento de provas, aliado ao uso da tecnologia Blockchain, surge como uma solução eficaz para garantir a integridade, autenticidade e preservação dessas informações ao longo do tempo. Em um cenário onde a temporalidade dos dados digitais pode comprometer o resultado de um processo, essas inovações tecnológicas representam uma nova era na gestão e preservação de provas digitais.

A aplicação dessas soluções pode ser o diferencial em processos judiciais e investigações, assegurando que as provas mantidas por longos períodos permaneçam válidas e inalteradas, oferecendo aos operadores do direito uma base sólida de evidências para sustentar seus casos.