A Importância da Preservação da Cadeia de Custódia nas Provas Digitais
No recente julgamento pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, descrito nos autos de n. 0007566-86.2024.8.26.0348, foi rejeitada uma queixa-crime devido à invalidação de provas digitais, causada pela ausência de comprovação da preservação da cadeia de custódia. Esse caso reforça a relevância de adotar procedimentos rigorosos e tecnicamente adequados ao lidar com evidências digitais em processos judiciais.





O que é a cadeia de custódia?
A cadeia de custódia refere-se ao conjunto de procedimentos que asseguram a integridade, autenticidade e rastreabilidade de uma evidência desde a sua coleta até sua apresentação em juízo. Ela garante que os dados digitais, como mensagens, e-mails ou registros em sistemas, não foram alterados, adulterados ou manipulados, mantendo sua confiabilidade.
Riscos de uma cadeia de custódia mal implementada
A falta de documentação e procedimentos padronizados pode levar à invalidação de provas, como ocorreu no caso mencionado. Em crimes digitais ou litígios envolvendo dados eletrônicos, a ausência de rastreabilidade pode comprometer toda a ação judicial, beneficiando a parte que eventualmente deveria ser responsabilizada.
Entre os riscos mais comuns, estão:
- Alteração não documentada dos dados: Pode ser intencional ou acidental.
- Falta de ferramentas certificadas para coleta de dados: Que gerem laudos reconhecidos e compatíveis com padrões judiciais.
- Ausência de um responsável designado para a preservação das provas: O que gera dúvidas quanto à autenticidade.
O que a decisão do TJ-SP nos ensina?
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo destaca a necessidade de implementar processos rigorosos para a coleta e preservação de provas digitais. Ela também evidencia que, em um cenário judicial cada vez mais digital, advogados, peritos e demais profissionais precisam investir em capacitação técnica para entender os requisitos legais e tecnológicos da cadeia de custódia.
Boas práticas na preservação de provas digitais
O assistente técnico é fundamental na coleta de provas digitais, pois garante a integridade das evidências, assegurando que os dados sejam preservados sem alterações. Ele orienta sobre os procedimentos legais adequados, evitando contaminação e garantindo que as provas sejam válidas no contexto jurídico. Sua atuação também inclui a análise técnica das evidências, a criação de relatórios detalhados e a defesa dos direitos das partes envolvidas. Além disso, sua presença confere credibilidade ao processo, garantindo que as provas digitais sejam admissíveis e compreendidas corretamente no tribunal. Este caso do TJ-SP reforça a necessidade de maior conscientização sobre o tema, tanto por operadores do Direito quanto por especialistas técnicos. Provas digitais, quando tratadas com o devido cuidado, tornam-se uma ferramenta poderosa na busca pela justiça, mas, sem os devidos processos, podem colocar todo um caso em risco.
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