Uso da inteligência artificial na gestão condominial

Por  Mario de Abreu

A adoção da inteligência artificial (IA) na administração de condomínios urbanos começa a ganhar força como uma ferramenta estratégica para síndicos e administradoras. Ela permite, por exemplo, a previsão de inadimplência, a automação de comunicados, o controle de acesso e a gestão das despesas com concessionárias de energia elétrica, gás, água e esgoto, tudo com maior precisão — elevando o nível da gestão condominial.

“Quando o síndico dispõe de ferramentas baseadas em IA, a capacidade de antecipar deficiências financeiras, economizar recursos e manter os moradores bem-informados se torna evidente. É um avanço na governança condominial”, afirma o Adm. Leonardo José Macedo, presidente do Conselho Federal de Administração (CFA) para o biênio 2025-2026. Ele destaca que essa tecnologia não substitui o gestor, mas o potencializa ao fornecer dados para decisões mais fundamentadas.

Já no Rio de Janeiro, Pedro José Maria Fernandes Wähmann, presidente do Secovi Rio — sindicato patronal que representa administradoras de imóveis e condomínios no estado — acrescenta que a IA pode ser determinante na comunicação interna e na transparência. Ele frisa que “com sistemas inteligentes, comunicados, boletos e assembleias digitais podem ser enviados com personalização e rapidez, o que melhora a relação entre a administração e os moradores”.

A implantação de IA na rotina condominial abrange diversos aspectos: envio automatizado de lembretes, avisos e boletos personalizados; previsão de inadimplência com base em históricos de pagamentos; monitoramento de consumo de água, luz e gás com eficiência; gerenciamento automatizado de reservas de áreas comuns; e integração de sistemas de segurança com reconhecimento facial.

A IA também fortalece a transparência administrativa ao permitir acesso digital a documentos, atas e relatórios financeiros, com proteção conforme a LGPD. Isso contribui para que os moradores confiem mais nas decisões da gestão. No entanto, existem desafios que exigem atenção. Entre os principais obstáculos para a adoção da IA estão os custos de implementação, a proteção de dados pessoais e a resistência cultural. Tanto o CFA quanto o Secovi Rio recomendam planejar as escolhas tecnológicas com base em fornecedores confiáveis, visão ética e respeito à legislação vigente.

O uso da IA é um caminho inevitável em razão da crescente profissionalização da gestão condominial, e já se tornou uma realidade tão comum quanto câmeras de vigilância ou elevadores. “É uma inovação inevitável e bem-vinda, que transforma o papel do síndico em um gestor moderno”, conclui Macedo.