Justiça Paulista Reforça: Contrato Eletrônico Sem Prova Digital é Nulo

Por Silvana de Oliveira  Perita Judicial, Grafotécnica, Especialista em Provas Digitais e Investigação Forense

Fraude em Contrato Eletrônico: Justiça Paulista Reforça Exigência de Provas Digitais

Em recente decisão, a Justiça de São Paulo analisou uma ação movida por consumidor que teve seu nome negativado e até mesmo ordem de busca e apreensão em razão de contrato de financiamento celebrado de forma fraudulenta.

O autor negou ter realizado a contratação, apresentou boletim de ocorrência e demonstrou que diversas operações vinham sendo realizadas em seu nome sem qualquer anuência.

A instituição financeira, por sua vez, sustentou a regularidade do negócio, alegando uso de assinatura eletrônica e biometria facial como garantias de autenticidade. Entretanto, o magistrado destacou que não basta invocar esses mecanismos sem apresentar prova técnica robusta que comprove sua efetiva utilização.

Segundo a decisão, era dever do banco comprovar a autenticidade do contrato por meio de registros digitais completos, tais como:

  • Logs de acesso e trilhas de auditoria;
  • Metadados de criação e validação;
  • Endereços de IP e informações do dispositivo utilizado;
  • Evidências de liveness (prova de vida) na biometria facial;
  • Cadeia de custódia digital dos arquivos.

Na ausência desses elementos, o juízo reconheceu a ocorrência de fraude, declarou a inexistência da relação jurídica, determinou a imediata retirada do nome do autor dos cadastros restritivos e condenou a instituição financeira ao pagamento de R$ 5.000,00 a título de danos morais.

A importância da decisão

Esse entendimento reforça uma tendência crescente nos tribunais: a validade de contratos eletrônicos não se sustenta apenas na alegação de uso de tecnologias de autenticação, mas na preservação técnica das evidências digitais.

Na prática, logs, metadados e cadeia de custódia deixam de ser meros detalhes técnicos e passam a constituir o núcleo probatório essencial para garantir confiabilidade e autenticidade nas relações jurídicas digitais.

Com isso, instituições financeiras e empresas que utilizam assinaturas eletrônicas e biometria precisam reforçar seus mecanismos de segurança, rastreabilidade e documentação, sob pena de verem seus contratos anulados judicialmente.