Por Silvana de Oliveira – Perita Judicial, Grafotécnica, Especialista em Provas Digitais e Investigação Forense
Caso “Orelha”: investigação avança e envolve adolescentes e familiares

O caso do cão comunitário Orelha, vítima de maus-tratos em Florianópolis, ganhou novos desdobramentos nas últimas semanas. Inicialmente envolvendo apenas quatro adolescentes, a investigação agora inclui também três adultos dois pais e um tio de alguns dos suspeitos indiciados por coação a testemunha.
Segundo informações da Polícia Civil, os adultos teriam ameaçado um porteiro na região da Praia Brava, que denunciou os atos de violência contra o animal. Apesar da suspeita de que um deles poderia estar armado, buscas realizadas nas residências não localizaram a arma. Entre os indiciados estão um advogado e dois empresários, familiares dos adolescentes.
As investigações ocorrem em duas frentes: a Delegacia de Proteção Animal (DPA), responsável por apurar os indícios de envolvimento dos adultos, e a Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei, que conduz as diligências envolvendo os quatro menores. A DPA não teve autorização judicial para quebra de sigilo dos celulares dos adultos, enquanto a investigação sobre os adolescentes contou com essa autorização, permitindo apreensão de celulares e notebooks. Dois dos jovens já tiveram os dispositivos analisados, enquanto os outros dois permanecem temporariamente nos Estados Unidos, em viagem previamente planejada à Disney, com retorno aguardado para breve.
O cão Orelha foi espancado no início do ano e, mesmo socorrido, não resistiu aos ferimentos. O laudo veterinário apontou que a morte foi causada por golpes de objeto contundente na cabeça, contrariando rumores que circulavam sobre a suposta introdução de um objeto no corpo do animal ainda vivo.
A Polícia Civil pretende analisar cerca de 1.000 horas de imagens de câmeras de monitoramento nas proximidades da Praia Brava, a fim de identificar a participação de cada adolescente e verificar se outros atos infracionais foram cometidos pelo grupo. Além do caso do Orelha, a investigação também envolve maus-tratos a outros animais e delitos contra patrimônio e honra de moradores da região.
O objetivo das autoridades é individualizar os comportamentos, responsabilizando cada adolescente pelo ato que cometeu seja pela ação direta, pela coação ou pela omissão diante das agressões.
Em iniciativa de valorização e memória, o prefeito de Florianópolis anunciou que o futuro hospital veterinário da cidade, previsto para ser entregue até o fim de março, receberá o nome do Orelha, em homenagem ao cão que mobilizou a comunidade e chamou atenção para a proteção animal.
O caso segue com repercussão nacional e internacional, reforçando o debate sobre maus-tratos a animais e a importância da atuação policial dentro da legalidade para responsabilizar envolvidos, sejam menores ou adultos.
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