Prints de Tela como Provas: Limites e Validade Jurídica O Papel do Perito Assistente Técnico
Recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) decidiu que prints de tela não são suficientes para comprovar a autoria e a autenticidade de uma prova. A decisão, registrada nos Autos de nº 0600809-58.2024.6.05.0031, reforça a importância de critérios rigorosos para a aceitação de provas digitais em processos judiciais, especialmente em um cenário onde a tecnologia é amplamente utilizada.

Por que prints não são suficientes?
Os prints de tela, embora úteis em várias situações, enfrentam limitações como evidências jurídicas devido a dois fatores principais:
- Falta de Autenticidade: Prints podem ser facilmente manipulados com ferramentas de edição, comprometendo sua confiabilidade.
- Incapacidade de Comprovar Autoria: Apenas o registro da mensagem ou ação não garante que ela foi realizada ou autorizada pela pessoa envolvida.
Essas fragilidades podem prejudicar a análise justa de casos judiciais, uma vez que a prova pode ser contestada ou considerada insuficiente.
O Papel do Perito Assistente Técnico
Para superar essas limitações, a figura do perito assistente técnico desempenha um papel essencial. Esse profissional é especializado na análise de provas digitais e pode emitir laudos que atestem a autenticidade e integridade de uma evidência. O trabalho do perito inclui:
- Validação de Provas Digitais: O perito utiliza ferramentas forenses para verificar a integridade dos dados apresentados, garantindo que não houve alterações.
- Autenticação de Prints: Embora os prints sozinhos não sejam suficientes, eles podem ser analisados em conjunto com metadados (informações ocultas de arquivos e sistemas) para reforçar sua validade.
- Geração de Relatórios Técnicos: O laudo técnico assinado por um perito qualificado apresenta uma análise detalhada, com base científica, que fortalece a credibilidade da prova em juízo.
- Depoimento em Audiência: Caso necessário, o perito pode ser convocado a explicar sua análise e reforçar a confiança nas conclusões apresentadas.
Um relatório técnico devidamente elaborado por um perito assistente pode, inclusive, ser decisivo em processos judiciais, aumentando a robustez das provas digitais.
Como validar provas digitais?
Para superar essas limitações, o uso de métodos tecnológicos avançados para autenticação é cada vez mais necessário. Entre as principais soluções estão:
- Certificação Digital: Ferramentas como certificados digitais e assinaturas eletrônicas permitem validar a autoria e integridade de documentos e mensagens.
- Hashing Criptográfico: O uso de algoritmos criptográficos pode garantir que a prova não foi alterada após sua captura.
- Testemunho Notarial: Em alguns casos, recorrer a cartórios ou tabeliães para validar a captura do conteúdo pode conferir maior credibilidade.
- Plataformas de Registro: Sistemas especializados, como blockchain, permitem registrar mensagens, e-mails e outras interações digitais com um carimbo de tempo imutável.
Impactos da Decisão do TRE-BA
A decisão do TRE-BA enfatiza a importância da modernização e da precisão na coleta de provas digitais. No contexto eleitoral, onde a disseminação de fake news e manipulação de dados digitais pode comprometer a democracia, critérios rigorosos são essenciais para garantir a transparência e a justiça.
Para cidadãos e empresas, a lição é clara: é necessário adotar práticas mais robustas para registrar e proteger provas digitais. Simples capturas de tela, sem um processo de autenticação, podem ser insuficientes para embasar ações judiciais ou administrativas.
A crescente dependência de tecnologias digitais exige que todos os envolvidos — cidadãos, empresas e profissionais do direito — compreendam as limitações das provas digitais e adotem ferramentas confiáveis para garantir a autenticidade e a integridade das informações. A decisão do TRE-BA serve como um alerta importante sobre a necessidade de adaptação às exigências do mundo digital.
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