Segundo o TRT-SP, Validade da Prova Digital Exige Metadados e Integridade Total

Por Silvana de Oliveira

Na era digital, não basta ter a prova — é preciso provar a origem

A Importância da Integridade e da Cadeia de Custódia nas Provas Digitais no Âmbito Trabalhista

A 1ª Vara do Trabalho de Itaquaquecetuba/SP recentemente reforçou um ponto crucial para o futuro da justiça digital: o reconhecimento da validade das provas digitais depende da apresentação dos dados na íntegra, acompanhados dos metadados e com a preservação da cadeia de custódia (Autos de nº 1001248-12.2024.5.02.0341).

Essa exigência não é apenas um tecnicismo. Trata-se de uma salvaguarda fundamental para garantir que a prova digital não seja manipulada, adulterada ou utilizada de forma descontextualizada.

Por que os metadados são importantes?

Os metadados são os dados sobre os dados. Eles registram informações como:

  • Data e hora de criação, modificação ou acesso a um arquivo;
  • Autor ou origem do conteúdo;
  • Localização geográfica (no caso de fotos ou mensagens, por exemplo);
  • Dispositivo utilizado.

Essas informações funcionam como a “impressão digital” da prova, ajudando a estabelecer sua autenticidade, autoria e temporalidade.

O que é cadeia de custódia?

A cadeia de custódia refere-se ao controle documentado de toda a trajetória da prova digital — desde sua coleta, passando pelo armazenamento, análise e apresentação em juízo. Qualquer ruptura nesse fluxo pode comprometer a confiabilidade do material apresentado.

Um exemplo prático: imagine uma mensagem de WhatsApp apresentada fora de contexto, sem metadados ou sem comprovação de onde e como foi obtida. A parte contrária pode (com razão) alegar manipulação ou falsificação. Agora, se essa mesma mensagem for apresentada com um relatório técnico que documente todo o processo de coleta, preserve os metadados e garanta a autenticidade do arquivo, sua força probatória aumenta significativamente.

Reflexo prático para peritos, advogados e empresas

A decisão da 1ª Vara do Trabalho mostra que o Judiciário está atento às boas práticas em provas digitais, e exige um tratamento técnico e ético. Isso impacta diretamente:

  • Peritos e assistentes técnicos, que devem dominar ferramentas de coleta forense e preservação da cadeia de custódia;
  • Advogados, que precisam saber como solicitar, contestar ou apresentar provas digitais corretamente;
  • Empresas, que devem adotar políticas de compliance digital, incluindo registros e backups adequados.

Estamos vivendo uma nova era da prova. O simples print de tela já não é suficiente. O Judiciário está exigindo provas digitais completas, com metadados íntegros e cadeia de custódia comprovada. Esse novo cenário demanda preparo técnico, atualização constante e atuação multidisciplinar — onde o perito judicial especializado assume papel de destaque.