Imposto sobre o RPA: Síndico ou Condomínio, Quem Deve Pagar?

Por Silvana de Oliveira

A terceirização de serviços através de RPA (Recibo de Pagamento de Autônomo) é uma prática comum em condomínios, seja para atividades de limpeza, portaria, jardinagem ou outras. No entanto, surge a dúvida: quem é responsável pelo pagamento dos impostos incidentes sobre o valor do serviço prestado, o síndico ou o condomínio?

O RPA, por si só, não define a responsabilidade pelo pagamento dos impostos. É necessário analisar a legislação vigente e as características da relação entre o condomínio e o profissional autônomo.

No caso do condomínio, a situação é um pouco mais complexa, pois envolve diferentes tipos de impostos e taxas, além das obrigações específicas em relação aos funcionários. Vamos analisar os principais cenários:

Impostos sobre o síndico:

  • Quem paga: A situação do síndico varia de acordo com a forma como ele é remunerado:
    • Síndico não remunerado: Não há incidência de impostos.
    • Síndico com pró-labore: O condomínio é responsável por reter e pagar os impostos sobre a renda (IRRF e INSS) do síndico, assim como para qualquer outro funcionário.
    • Síndico com isenção da taxa condominial: Mesmo recebendo isenção da taxa, o condomínio deve recolher a contribuição previdenciária (INSS) sobre o valor da isenção.

Enquadramento Legal

  • Lei nº 8.159/1991: Dispõe sobre a Previdência Social dos Trabalhadores Autônomos.
  • Lei Complementar nº 116/2003: Estabelece o ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza).
  • Código Civil Brasileiro: Regula as relações contratuais entre pessoas físicas e jurídicas.

Análise da Responsabilidade

1. Síndico como Tomador de Serviços: INSS (Previdência Social):

  • Contribuição Patronal: O condomínio, como tomador de serviços, é responsável pelo recolhimento da contribuição patronal (20%) sobre o valor total do RPA, mesmo que o síndico seja isento da taxa condominial.
  • Contribuição Previdenciária do Autônomo: O síndico, como tomador de serviços, deve reter 11% do valor total do RPA para pagamento da contribuição previdenciária do autônomo, descontando-o do valor a ser pago ao profissional.
  • IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte):
    • O síndico, como tomador de serviços, deve reter o IRRF do valor total do RPA, de acordo com a alíquota estabelecida pela Receita Federal, descontando-o do valor a ser pago ao profissional.
  • ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza):
    • A responsabilidade pelo recolhimento do ISS varia de acordo com o município.
      • Condomínio como Substituto Tributário: Em alguns municípios, o condomínio é considerado substituto tributário do ISS, devendo reter e recolher o imposto diretamente.
      • Profissional Autônomo Responsável: Em outros municípios, a responsabilidade pelo recolhimento do ISS é do profissional autônomo, que deve emitir nota fiscal e recolher o imposto por conta própria.

2. Síndico como Prestador de Serviços: Caso o síndico receba pro-labore ou ajuda de custo:

  • INSS (Previdência Social):
    • O condomínio deve contribuir para a Previdência Social do síndico, recolhendo a contribuição patronal (20%) sobre o valor do pro-labore ou ajuda de custo.
    • O síndico também deve contribuir para sua própria Previdência Social, descontando 11% do valor do pro-labore ou ajuda de custo.
  • IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte):
    • O condomínio deve reter o IRRF do valor do pro-labore ou ajuda de custo, de acordo com a alíquota estabelecida pela Receita Federal.
  • ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza):
    • O síndico, como prestador de serviços, deve emitir nota fiscal e recolher o ISS diretamente.

Cálculo do Desconto de Impostos no RPA

  • Este cálculo considera um salário mínimo bruto de R$ 1.412, vigente .
  • O desconto de impostos no RPA pode variar de acordo com a cidade e situação do profissional (dependentes, deduções, etc.).
  • É fundamental consultar um contador para um cálculo preciso e personalizado.

detalhamento do cálculo:

INSS (Previdência Social):

  • O profissional autônomo contribui com o INSS mesmo recebendo apenas o salário mínimo.
  • A alíquota mínima de contribuição é de 20%, aplicada sobre o valor total do serviço prestado (R$ 1.412).
  • Cálculo do INSS: R$ 1.412 x 20% = R$ 282,40

IRRF (Imposto de Renda da Pessoa Física):

  • O valor do serviço (R$ 1.412) já está isento do IRRF, pois está abaixo do limite de isenção mensal de R$ 2.824,00 para o ano de 2024.
  • Portanto, não há desconto de IRRF neste caso.

ISS (Imposto Sobre Serviços):

  • O ISS é um imposto municipal, e sua alíquota varia de acordo com a cidade.
  • Para saber a alíquota do ISS na sua cidade, consulte o site da prefeitura ou um contador.
  • Exemplo de cálculo do ISS com alíquota de 5%: R$ 1.412 x 5% = R$ 70,60

Resumo dos Descontos:

Salário Líquido:

  • R$ 1.412,00 (Salário Bruto) – R$ 353,00 (Total de Descontos) = R$ 1.059,00

Informações Úteis:

O que acontece se o condomínio não recolher os impostos?

O não recolhimento dos impostos por parte do condomínio pode gerar diversas consequências negativas, tanto para a entidade como para os condôminos.

Sanções Administrativas:

  • Multa: A principal consequência é a aplicação de multa pela Receita Federal, INSS ou prefeitura municipal, de acordo com o imposto não recolhido. O valor da multa varia de acordo com o tipo de imposto, o período de atraso e o porte do condomínio.
  • Juros Moratórios: Além da multa, também incidem juros moratórios sobre o valor do imposto não pago, a partir da data de vencimento até a data do pagamento efetivo.
  • Inscrição em Dívida Ativa: O não pagamento dos impostos pode levar o condomínio à inscrição na Dívida Ativa da União, do Estado ou do Município, o que dificulta a obtenção de certidões negativas e impede a realização de diversos atos, como a abertura de contas bancárias ou a contratação de empréstimos.

Outras Possíveis Consequências:

  • Ações judiciais: O condomínio pode ser alvo de ações judiciais por parte da Receita Federal, INSS ou prefeitura municipal para cobrança dos impostos em atraso.
  • Protestos em cartório: O não pagamento dos impostos pode levar ao protesto do nome do condomínio em cartório, o que impacta negativamente a reputação da entidade e dificulta a obtenção de crédito.
  • Dificuldade na prestação de contas: O síndico pode ter dificuldades em prestar contas aos condôminos sobre a gestão financeira do condomínio, caso não esteja regular com o pagamento dos impostos.
  • Insatisfação dos condôminos: O não recolhimento dos impostos pode gerar insatisfação entre os condôminos, que podem cobrar explicações do síndico e até mesmo tomar medidas legais contra a entidade.

Prevenção e Regularização:

É fundamental que o condomínio esteja em dia com o pagamento de todos os impostos para evitar as consequências negativas mencionadas acima. Para isso, é importante:

  • Contratar um contador especializado em condomínios: O contador poderá auxiliar o síndico na gestão das obrigações fiscais e previdenciárias do condomínio, garantindo o cumprimento das leis e evitando problemas com o fisco.
  • Manter um controle rigoroso dos prazos de vencimento: O síndico deve manter um calendário atualizado com os prazos de vencimento de cada imposto, para que os pagamentos sejam realizados dentro do prazo legal.
  • Arquivar toda a documentação fiscal: É importante guardar toda a documentação fiscal relacionada ao pagamento dos impostos, como guias de pagamento, comprovantes de recolhimento e notas fiscais.

O pagamento dos impostos é uma obrigação legal para todos os condomínios. O síndico é responsável por garantir que o condomínio esteja em dia com todas as suas obrigações fiscais e previdenciárias. O não recolhimento dos impostos pode gerar diversas consequências negativas, como multas, juros, protestos em cartório e até mesmo ações judiciais. Para evitar esses problemas, é fundamental que o condomínio contrate um contador especializado e mantenha um controle rigoroso dos prazos de vencimento e da documentação fiscal.

Lembre-se: As informações acima são gerais e podem variar de acordo com a legislação municipal e a situação específica de cada condomínio. É sempre recomendável consultar um contador especializado para obter orientação precisa sobre as obrigações fiscais e previdenciárias do seu condomínio.

Analisar os termos do contrato de prestação de serviços com o profissional autônomo para verificar a definição de quem é responsável pelo pagamento dos impostos e manter toda a documentação fiscal relacionada à contratação de serviços autônomos, incluindo RPA, notas fiscais e comprovantes de pagamento de impostos.

Referências Bibliográficas

  • BRASIL. Lei nº 8.159, de 26 de novembro de 1991. Dispõe sobre a Previdência