Quatro Dias de Trabalho por Semana: A Revolução na Jornada que Pode Transformar não só o Brasil como a Gestão Condominial

Por Silvana de Oliveira

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton propõe uma mudança significativa no regime de trabalho ao propor o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal para 36 horas, distribuídas em uma jornada de quatro dias. Essa iniciativa visa proporcionar uma semana de trabalho mais curta, com apenas quatro dias, conferindo aos trabalhadores mais tempo para descanso e atividades pessoais. Vamos explorar as possíveis implicações, os argumentos a favor e os desafios dessa proposta.

Contexto e Implicações da Escala 6×1

Atualmente, a escala de trabalho 6×1 é comum em setores que exigem operação contínua, como o comércio, serviços de saúde, e segurança pública. Esse regime de seis dias trabalhados para um dia de descanso tem sido historicamente aplicado para atender às demandas operacionais e garantir a continuidade dos serviços. No entanto, ele é alvo de críticas devido ao impacto potencial sobre o bem-estar e a saúde mental dos trabalhadores, que frequentemente enfrentam estresse e cansaço acumulado sem tempo suficiente para recuperar-se fisicamente e mentalmente.

A PEC de Hilton propõe alterar essa dinâmica, reduzindo o número de dias de trabalho e aumentando o tempo para descanso. A mudança para uma jornada de quatro dias poderia, em teoria, melhorar a qualidade de vida, reduzir o estresse e até aumentar a produtividade, já que trabalhadores mais descansados tendem a ser mais eficientes e focados em suas atividades.

Argumentos a Favor da PEC

  1. Qualidade de Vida: A proposta de uma jornada de quatro dias por semana com 36 horas totais de trabalho permitiria aos trabalhadores mais tempo para descansar e se dedicar a atividades pessoais. Estudos indicam que semanas de trabalho mais curtas podem reduzir o estresse e melhorar a saúde mental.
  2. Aumento da Produtividade: Em outros países, onde modelos de semanas de quatro dias foram testados, houve resultados positivos em termos de produtividade. Funcionários mais descansados têm demonstrado maior foco e eficiência.
  3. Equilíbrio entre Vida Pessoal e Profissional: Esse novo modelo poderia incentivar um equilíbrio maior entre a vida pessoal e profissional, valorizando a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
  4. Benefícios para a Economia: Em longo prazo, essa mudança pode levar à redução de absenteísmo e rotatividade, além de diminuir os custos com problemas de saúde associados ao estresse e ao cansaço.

Desafios e Possíveis Críticas

  1. Custos para os Empregadores: Uma semana de quatro dias pode trazer desafios de adaptação, especialmente para setores que operam de forma ininterrupta. Empresas podem precisar aumentar o número de contratações ou reorganizar as escalas para manter o nível de serviço, o que pode gerar custos adicionais.
  2. Adequação dos Setores de Serviço e Indústria: Alguns setores, especialmente os que operam 24/7, como saúde e segurança, podem enfrentar maiores desafios para adaptar-se a um regime com apenas quatro dias de trabalho sem prejudicar a continuidade dos serviços.
  3. Competitividade no Mercado Internacional: A adaptação para uma semana de trabalho de quatro dias pode ser vista por alguns como uma diminuição de competitividade em setores que operam globalmente e seguem jornadas mais intensas.
  4. Obstáculos Legislativos: Por se tratar de uma PEC, a proposta exige uma complexa tramitação e apoio substancial no Congresso. Serão necessários debates e acordos amplos para garantir que a proposta seja viável e aceitável tanto para trabalhadores quanto para empregadores.

A PEC proposta pela deputada Erika Hilton reflete uma tendência crescente de busca por melhores condições de trabalho e qualidade de vida para os trabalhadores. Embora apresente benefícios potenciais para a saúde mental e a produtividade, a mudança na jornada de trabalho enfrenta desafios significativos. A proposta terá que superar resistências e obter o apoio de diferentes setores da sociedade para se concretizar. A discussão que surge com essa PEC é importante, pois coloca em foco a necessidade de revisitar os modelos de trabalho no Brasil, equilibrando o bem-estar dos trabalhadores e as demandas dos empregadores.

A proposta de uma semana de trabalho de quatro dias, conforme a PEC apresentada pela deputada Erika Hilton, pode ter um impacto significativo na administração de condomínios residenciais e comerciais. Abaixo, analiso os principais impactos e desafios que a implementação de uma jornada reduzida pode trazer para esse setor:

Impacto na Equipe Operacional

Nos condomínios, a rotina de trabalho de colaboradores como porteiros, seguranças, faxineiros e zeladores é organizada com base em escalas de plantão que garantem cobertura contínua, muitas vezes seguindo a escala 6×1 ou até 12×36. A redução para uma jornada de quatro dias pode demandar reestruturações, o que implica:

  1. Aumento de Contratações: Para manter a cobertura total durante todos os dias da semana, será necessário contratar mais funcionários ou dividir tarefas entre mais pessoas, o que pode aumentar os custos operacionais dos condomínios.
  2. Reorganização das Escalas de Plantão: Gerir escalas de quatro dias exigirá um esforço de coordenação e planejamento mais elaborado. É possível que a contratação de temporários ou funcionários adicionais se torne inevitável para preencher as lacunas deixadas pela redução de jornada, especialmente em turnos noturnos e de finais de semana.
  3. Possível Aumento nas Taxas de Condomínio: Com o aumento da folha de pagamento e de despesas relacionadas a contratações e ajustes nas escalas, condomínios podem precisar revisar as taxas pagas pelos condôminos. Esse custo adicional pode impactar a viabilidade da proposta para muitos condomínios, especialmente os menores.

Benefícios Potenciais para os Trabalhadores

Por outro lado, a implementação de uma jornada de quatro dias pode trazer benefícios para a equipe de colaboradores dos condomínios:

  1. Melhoria na Qualidade de Vida dos Funcionários: Com um regime de trabalho mais curto, colaboradores teriam mais tempo para descansar e dedicar-se a atividades pessoais, o que pode refletir em maior satisfação e menor absenteísmo.
  2. Redução no Estresse e Aumento da Produtividade: A possibilidade de ter mais dias de descanso pode contribuir para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo, o que beneficia tanto o trabalhador quanto a qualidade dos serviços prestados no condomínio.

Desafios de Adaptação

  1. Complexidade nas Negociações Coletivas: Essa PEC, se aprovada, permitirá acordos de compensação e ajustes na jornada mediante negociação coletiva. No entanto, o setor de condomínios, que envolve trabalhadores terceirizados e celetistas, pode enfrentar obstáculos para aplicar essas mudanças de forma homogênea, exigindo mais suporte de sindicatos e órgãos trabalhistas.
  2. Impacto nos Serviços Terceirizados: Muitos condomínios contratam empresas terceirizadas para atividades como portaria e limpeza. A necessidade de ajustar jornadas para quatro dias por semana poderá influenciar os contratos de prestação de serviços, levando a renegociações de valores e condições de trabalho.
  3. Exigência de Planejamento e Gestão Mais Rigorosa: Administrar um condomínio com serviços de segurança, manutenção e limpeza que funcionem 24 horas por dia e sete dias por semana exige planejamento rigoroso. A adaptação para uma jornada de quatro dias exigirá maior atenção da administração para garantir que o padrão de atendimento não seja comprometido.

A PEC que propõe uma jornada de quatro dias por semana com carga horária semanal de 36 horas pode trazer mudanças profundas no setor de condomínios. Embora apresente benefícios potenciais para a qualidade de vida dos trabalhadores, sua implementação é complexa e poderá elevar custos operacionais. Para evitar que essa proposta onere os condôminos de forma excessiva, será necessário que administradores, prestadores de serviços e sindicatos busquem formas de adaptação e diálogo contínuo. A modernização da jornada de trabalho nos condomínios é um passo que, embora desafiador, poderá contribuir para uma maior humanização e eficiência nos serviços prestados.


Entenda PEC que quer o fim da escala de trabalho de 6×1

Texto foi proposto pela deputada Erika Hilton e depende do apoio de 171 parlamentares para ser analisada no Congresso.

Uma PEC – Proposta de Emenda à Constituição encabeçada pela deputada Erika Hilton vem ganhando força ao propor o fim da escala de trabalho 6×1, regime no qual profissionais trabalham seis dias seguidos e têm direito a apenas um dia de descanso semanal.

A proposta da deputada é de redução da carga de trabalho semanal para 36 horas. Ela também propõe a jornada de trabalho de quatro dias por semana. Veja:

Art. 1º O inciso XIII do art. 7° passam a vigorar com a seguinte redação:

“Art.7°……………………………….

XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e trinta e seis horas semanais, com jornada de trabalho de quatro dias por semana, facultada a compensação de horários e a redução de jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;” (NR)

Confira a íntegra do texto e a justificativa.
A proposta ganhou as redes sociais, e tem sido amplamente apoiada pelos trabalhadores.

O texto está em fase de coleta de assinaturas, e depende do aval de 171 deputados para que seja analisada no Congresso. De acordo com a assessoria da parlamentar, a lista já passa dos 100 nomes.

O que diz a PEC?

De acordo com a CLT, art. 58, a duração normal do trabalho para os empregados em atividade privada será de, no máximo, 8 horas diárias. A CF, em seu art. 7º, dispõe que a duração do trabalho será não superior a oito horas, e quarenta e quatro semanais.

Na proposta inicial de Hilton, que foi protocolada no dia 1º de maio e ganhou força nas redes nos últimos dias, o objetivo é reduzir esse limite para 36 horas semanais, sem alteração na carga máxima diária de oito horas.

Para a deputada, é possível trabalhar com a margem de 36 horas semanais, mas o número tem o objetivo principal de iniciar o debate “para que o parlamento busque uma análise do que é melhor, levando em consideração a vida da classe trabalhadora”.

A proposta é de não só colocar fim à jornada de 6×1, como também reduzir o limite de horas semanais trabalhadas no Brasil, a fim de permitir o modelo de quatro dias de trabalho.

Hilton enfatiza que a redução da carga horária semanal deveria ocorrer sem diminuição salarial, ponto essencial para “preservação do poder de compra e a estabilidade econômica dos trabalhadores, essenciais para o sustento de suas famílias e para a dinamização da economia como um todo”.

“A escala 6×1 é uma prisão, e é incompatível com a dignidade do trabalhador.”

O texto argumenta que a redução da jornada melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores e geraria ganhos de produtividade. A proposição também sugere que a redução da jornada poderia gerar milhões de empregos.

Em entrevista ao jornal O Globo, Hilton afirmou que o desenho inicial não quer cravar um modelo exato, mas provocar a discussão no parlamento sobre a jornada de trabalho dos brasileiros. Agora, a deputada quer marcar uma audiência pública na Câmara para debater o tema e buscar um consenso sobre a questão.

Segundo a deputada, a mudança é necessária para adaptar as leis trabalhistas às novas demandas sociais e promover um ambiente de trabalho mais saudável e equilibrado.

“A alteração proposta à CF reflete um movimento global em direção a modelos de trabalho mais flexíveis aos trabalhadores, reconhecendo a necessidade de adaptação às novas realidades do mercado de trabalho e às demandas por melhor qualidade de vida dos trabalhadores e de seus familiares.”

Para que seja discutido na Câmara e no Senado, o texto precisa do apoio de ao menos 171 parlamentares, já que se trata de uma mudança na Constituição.

Até sexta-feira, 71 nomes tinham endossado a proposta. Neste domingo, 10, em meio à popularização do tema nas redes sociais e à pressão sobre deputados, o número teria subido para pouco mais de 100.

Se conseguir o apoio necessário para entrar em votação, a PEC ainda passa por um rigoroso processo até a aprovação: deve ser aprovada por pelo menos três quintos dos deputados e senadores, em votações realizadas em dois turnos em cada casa do Congresso.

Jornada reduzida em outros países

A proposição brasileira acompanha uma tendência global em prol de jornadas reduzidas. Em estudo realizado no Reino Unido, que adotou o regime de quatro dias de trabalho, 39% dos trabalhadores relataram menos estresse, enquanto 71% apresentaram redução de sintomas de burnout. Empresas também reportaram vantagens, como menor rotatividade de funcionários e pequeno aumento de receita.

Além do Reino Unido, outros países como Portugal, Islândia, Espanha, Alemanha e Bélgica têm experimentado ou aprovado modelos de jornada semanal reduzida, em busca de ganhos na produtividade e na qualidade de vida dos trabalhadores.

Esclarecimentos da proposta

O texto ainda não foi divulgado porque aguarda apoio dos parlamentares, mas, em suas redes sociais, a autora Erika Hilton defendeu sua proposta, publicou informações e respondeu a dúvidas.

Veja:

Outra proposta

Já tramita no Congresso a PEC 148/15, que também visa a alterar a CF para reduzir a jornada de trabalho semanal. O texto dispõe que a jornada não deve exceder as 36 horas semanais, com redução gradual. O primeiro signatário é o senador Paulo Paim. A proposta está na CCJ do Senado, aguardando emissão de relatório. 

Em dezembro do ano passado, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou, por 10 votos a favor e 2 contra, o PL 1.105/23, que viabiliza a redução da jornada de trabalho sem implicar em diminuição do salário do trabalhador. A proposta, no entanto, prevê uma exceção, permitindo a redução salarial mediante acordo entre trabalhadores e empregadores, formalizado em convenção coletiva de trabalho.

O relator do projeto, senador Paulo Paim, destacou que a proposta abre a perspectiva de criação de novos postos de trabalho, contribuindo para a redução das taxas de desemprego e proporcionando uma distribuição mais equitativa de renda.

Em seu relatório, o senador ressaltou que estudos indicam que a redução da jornada de trabalho pode resultar em ganhos de produtividade, estimulando o crescimento econômico e promovendo melhorias na saúde mental e física dos trabalhadores. Ele ainda mencionou que diversos países, como França, Alemanha, Espanha e Dinamarca, já discutem modelos laborais com redução de jornada sem redução salarial.

Fonte: https://www.migalhas.com.br/quentes/419686/entenda-pec-que-quer-o-fim-da-escala-de-trabalho-de-6×1